[TJC] Porque RJ 99?
Amaury: Basicamente a ideia surgiu com
o primeiro baterista, o jardson macarrão, as nossas vidas na verdade
estão ligadas à RJ 99, também conhecida como Estrada de Piranema.
Então achamos bacana, na época eu e o Jardson passamos a usar esse
nome. Datas são um problema comigo, mas provavelmente 2005 para
2006.
A gente começou a fazer um som juntos
e o nome da banda era Garotos Perdidos, aí não deu certo nem
chegamos a fazer um show, tinha o Leandro do Jr & Leandro, e um
pedaço virou RJ 99.
[TJC] Nova Formação?
Amaury: É, entrou o Lucas. Ele é um
fanático por estudos de guitarra, a nossa guitarrista a Bárbara
começou a estudar contrabaixo. As pessoas costumam dizer que banda é
uma família, eu costumo dizer que a minha banda no caso é um
orfanato. Não é aquilo que as pessoas cresceram juntas, as pessoas
estão chegando e estão crescendo juntas.
A Bárbara por exemplo, ela escuta de
Metallica à Lady Gaga, ela tipo, separa o que acha bom e absorve
aquilo para ela. O Lucas é louco por Van Halen, aquelas coisas de
guitarra e tudo mais. Já o Daniel e o nosso baixista Dodó, que não
vai estar presente, são músicos com formação da Igreja, então
são músicos com bastante técnica.
Eu sou mais aquele carinha que faz voz
e violão e gosta de brincar de compor, então tem de tudo. Essa nova
formação tem pouco tempo, tirando o Lucas que começou a bem pouco
tempo, essa formação de agora tem um pouco.
[TJC] Dá para conciliar essas
diferenças?
Dá até porque eu sempre tive vontade
de ter uma menina na banda. Então quando surgiu a possibilidade da
Bárbara foi bom para caramba.
[TJC] Porque ter uma banda?
Amaury: Começou comigo que sempre tive
uma vontade de me expressar, então o grande objetivo era gravar um
cd. Gravamos um CD, há dois anos atrás e vai estar a venda lá no
The Jam Concert, a ideia era entrar em estúdio novamente no final do
ano passado, mas acabamos deixando para depois.
A ideia é dizer coisas que as pessoas
pensam mais não falam. Tentar trazer música com conteúdo. Tem uma
pegada pop sim, mas com conteúdo, para mostrar que é possível
fazer mais do que 'dar uma fugidinha...”
[TJC] Defina o som da RJ 99.
Amaury: Dificil. Para mim a RJ 99 é
área de escape, quando você pega tudo e coloca ali.
[TJC] Que música não pode falar em um
show?
Amaury: São duas: 'Smells like a teen
spirit', que marcou, quem não começou tocando Nirvana um dia vai
tocar Nirvana. E 'Que país é esse?'. Quando não tem uma tem outra.
E uma da banda 'Novo Tempo', e uma que chegou a fazer muito sucesso,
teve uma menina da Tailândia que veio falar comigo que tinha gostado
que é a “Nossos Fantasmas”.
O CD é totalmente independente, para
comprar é só ir para o nosso blog.
[TJC] E para 2012?
Amaury: A gente vai deixar um segundo
disco para o 2º semestre, até porque a minha filha nasce no final
de junho, primeiro filho. E sou eu quem produzo. Talvez outubro.
[TJC] E como vocês se conheceram?
Amaury: Na realidade eu conheço o
Daniel desde criança, o meu irmão Alex tá na banda desde o começo,
ele é um integrante flutuante, toca baixo, teclado...Compõem e
produz junto comigo. O Alex é o 5º integrante. O Daniel eu conheço
desde criança, eu via ele tocando na Igreja, e jamais ia imaginar
que ele ia tocar com a gente algum dia...
Alex: Foi na saída do antigo
baterista. Ele conhecia e gostava do nosso som.
Amaury: Ele estava saindo da banda ALT
F7. O nosso CD foi gravado em 2008 e lançado em 2009.
Alex: Enfim tem uns três anos, foi o
nosso primeiro show juntos, o Daniel estava se reconectando com a
vida de solteiro, teve uma garrafa de whiskey, a gente ficou bem
louco.
Amaury: Não deu para tocar cinco
músicas...
Alex: Tá, mas a gente se divertiu
para caramba, a galera gostou do som, porque quem tava lá tava
bêbado. Aí ele atropelou um trem... O trem tava vindo e ele
continuou dirigindo. O carro foi embora, mas ele tá vivo, ficou bem.
Alex: A Bárbara é o nosso
chaveirinho da sorte.
Amaury: Nós somos amigos da tia dela,
ela veio em um ensaio, aí a tia disse que ela tocava violão também.
Eu pedi para ela tocar enquanto eu cantava, e vou te falar, eu gostei
muito.
Amaury: O Lucas, o pai dele me viu
tocando na noite e pediu para eu passar coisas de violão para ele. É
aquilo, o pai quer que o filho toque violão e o filho quer tocar
guitarra. Eu passei por isso também.
Alex: O Lucas é um moleque que quer
correr antes de aprender a andar. Antes de técnica ele quer solar,
quer fazer um arranjo maior. E quando ele quer, ele engole a parada e
traz.
Amaury: Eu passava exercícios simples
e ele se enrolava.
Alex: A realidade é que o moleque toca
guitarra de verdade.
[TJC] Como vai ser a vida pessoal de
vocês com o ritmo de ensaios e shows de uma banda?
Amaury: Já teve época que ninguém
ensaiava, a gente marcava as músicas e ia.
Alex: Acho que música flui, se você
tem afinidade, vocês vão se olhar e saber que cada um tem que fazer
uma parada. E rola.
Amaury: Alex errou, eu sei o que ele
vai fazer em seguida. Vai tentar consertar, vai abaixar a cabeça ou
vai jogar o baixo para o lado. Ou dizer que tá com sono e vai embora
como já aconteceu...
Amaury: A arte não pode ser rotulada
pelo artista, ela precisa ser passível de interpretação por
aquelas pessoas que a recebem.
[TJC] Daqui para frente a vida pessoal de
vocês vai tomar cada vez mais tempo... E como fica?
Alex: Todos os erros, todos os
momentos bons. É tudo um aprendizado, todo o tipo de mudança é uma
evolução. Coisas ruins sempre acontecem, imprevistos, independente
de trabalho. As vezes a gente acorda mal e você não está a fim de
fazer um som, de fazer um show. E aí, eu sei que eles estão
contando comigo da mesma forma que eu conto com eles. Acaba virando
uma família, não é só chegar lá e tocar, tem um carinho, uma
dedicação. É porque a gente gosta da energia que as pessoas mandam
de volta. Tudo é aprendizado. Já aconteceu pior, o guitarrista não
vai conseguir chegar: Alex você vai tocar o baixo. Isso porque eu ia
ser o cara que só ia ficar na porta dando boa noite para as pessoas.
Se Deus quiser esse ano a gente grava um novo CD.

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