sexta-feira, 30 de março de 2012

Entrevista: RJ 99

Confira uma entrevista com Amaury e Alex da RJ 99.


[TJC] Porque RJ 99?
Amaury: Basicamente a ideia surgiu com o primeiro baterista, o jardson macarrão, as nossas vidas na verdade estão ligadas à RJ 99, também conhecida como Estrada de Piranema. Então achamos bacana, na época eu e o Jardson passamos a usar esse nome. Datas são um problema comigo, mas provavelmente 2005 para 2006.

A gente começou a fazer um som juntos e o nome da banda era Garotos Perdidos, aí não deu certo nem chegamos a fazer um show, tinha o Leandro do Jr & Leandro, e um pedaço virou RJ 99.

[TJC] Nova Formação?

Amaury: É, entrou o Lucas. Ele é um fanático por estudos de guitarra, a nossa guitarrista a Bárbara começou a estudar contrabaixo. As pessoas costumam dizer que banda é uma família, eu costumo dizer que a minha banda no caso é um orfanato. Não é aquilo que as pessoas cresceram juntas, as pessoas estão chegando e estão crescendo juntas.

A Bárbara por exemplo, ela escuta de Metallica à Lady Gaga, ela tipo, separa o que acha bom e absorve aquilo para ela. O Lucas é louco por Van Halen, aquelas coisas de guitarra e tudo mais. Já o Daniel e o nosso baixista Dodó, que não vai estar presente, são músicos com formação da Igreja, então são músicos com bastante técnica.

Eu sou mais aquele carinha que faz voz e violão e gosta de brincar de compor, então tem de tudo. Essa nova formação tem pouco tempo, tirando o Lucas que começou a bem pouco tempo, essa formação de agora tem um pouco.

[TJC] Dá para conciliar essas diferenças?
Dá até porque eu sempre tive vontade de ter uma menina na banda. Então quando surgiu a possibilidade da Bárbara foi bom para caramba.

[TJC] Porque ter uma banda?

Amaury: Começou comigo que sempre tive uma vontade de me expressar, então o grande objetivo era gravar um cd. Gravamos um CD, há dois anos atrás e vai estar a venda lá no The Jam Concert, a ideia era entrar em estúdio novamente no final do ano passado, mas acabamos deixando para depois.

A ideia é dizer coisas que as pessoas pensam mais não falam. Tentar trazer música com conteúdo. Tem uma pegada pop sim, mas com conteúdo, para mostrar que é possível fazer mais do que 'dar uma fugidinha...”

[TJC] Defina o som da RJ 99.
Amaury: Dificil. Para mim a RJ 99 é área de escape, quando você pega tudo e coloca ali.

[TJC] Que música não pode falar em um show?
Amaury: São duas: 'Smells like a teen spirit', que marcou, quem não começou tocando Nirvana um dia vai tocar Nirvana. E 'Que país é esse?'. Quando não tem uma tem outra. E uma da banda 'Novo Tempo', e uma que chegou a fazer muito sucesso, teve uma menina da Tailândia que veio falar comigo que tinha gostado que é a “Nossos Fantasmas”.

O CD é totalmente independente, para comprar é só ir para o nosso blog.

[TJC] E para 2012?
Amaury: A gente vai deixar um segundo disco para o 2º semestre, até porque a minha filha nasce no final de junho, primeiro filho. E sou eu quem produzo. Talvez outubro.

[TJC] E como vocês se conheceram?

Amaury: Na realidade eu conheço o Daniel desde criança, o meu irmão Alex tá na banda desde o começo, ele é um integrante flutuante, toca baixo, teclado...Compõem e produz junto comigo. O Alex é o 5º integrante. O Daniel eu conheço desde criança, eu via ele tocando na Igreja, e jamais ia imaginar que ele ia tocar com a gente algum dia...

Alex: Foi na saída do antigo baterista. Ele conhecia e gostava do nosso som.

Amaury: Ele estava saindo da banda ALT F7. O nosso CD foi gravado em 2008 e lançado em 2009.

Alex: Enfim tem uns três anos, foi o nosso primeiro show juntos, o Daniel estava se reconectando com a vida de solteiro, teve uma garrafa de whiskey, a gente ficou bem louco.

Amaury: Não deu para tocar cinco músicas...

Alex: Tá, mas a gente se divertiu para caramba, a galera gostou do som, porque quem tava lá tava bêbado. Aí ele atropelou um trem... O trem tava vindo e ele continuou dirigindo. O carro foi embora, mas ele tá vivo, ficou bem.

Alex: A Bárbara é o nosso chaveirinho da sorte.

Amaury: Nós somos amigos da tia dela, ela veio em um ensaio, aí a tia disse que ela tocava violão também. Eu pedi para ela tocar enquanto eu cantava, e vou te falar, eu gostei muito.

Amaury: O Lucas, o pai dele me viu tocando na noite e pediu para eu passar coisas de violão para ele. É aquilo, o pai quer que o filho toque violão e o filho quer tocar guitarra. Eu passei por isso também.

Alex: O Lucas é um moleque que quer correr antes de aprender a andar. Antes de técnica ele quer solar, quer fazer um arranjo maior. E quando ele quer, ele engole a parada e traz.

Amaury: Eu passava exercícios simples e ele se enrolava.

Alex: A realidade é que o moleque toca guitarra de verdade.

[TJC] Como vai ser a vida pessoal de vocês com o ritmo de ensaios e shows de uma banda?

Amaury: Já teve época que ninguém ensaiava, a gente marcava as músicas e ia.

Alex: Acho que música flui, se você tem afinidade, vocês vão se olhar e saber que cada um tem que fazer uma parada. E rola.

Amaury: Alex errou, eu sei o que ele vai fazer em seguida. Vai tentar consertar, vai abaixar a cabeça ou vai jogar o baixo para o lado. Ou dizer que tá com sono e vai embora como já aconteceu...

Amaury: A arte não pode ser rotulada pelo artista, ela precisa ser passível de interpretação por aquelas pessoas que a recebem.

[TJC] Daqui para frente a vida pessoal de vocês vai tomar cada vez mais tempo... E como fica?

Alex: Todos os erros, todos os momentos bons. É tudo um aprendizado, todo o tipo de mudança é uma evolução. Coisas ruins sempre acontecem, imprevistos, independente de trabalho. As vezes a gente acorda mal e você não está a fim de fazer um som, de fazer um show. E aí, eu sei que eles estão contando comigo da mesma forma que eu conto com eles. Acaba virando uma família, não é só chegar lá e tocar, tem um carinho, uma dedicação. É porque a gente gosta da energia que as pessoas mandam de volta. Tudo é aprendizado. Já aconteceu pior, o guitarrista não vai conseguir chegar: Alex você vai tocar o baixo. Isso porque eu ia ser o cara que só ia ficar na porta dando boa noite para as pessoas. Se Deus quiser esse ano a gente grava um novo CD.

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